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Arranjos Raciais - Por Reginaldo Dias

Foto: Reprodução “...Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós,  Senhor Deus, se eu deliro... ou se é v...

Texto Sobre Preconceito Na Escola - Frases Para Status Do Whatsapp
Texto Sobre Preconceito Na Escola - Frases Para Status Do Whatsapp
Foto: Reprodução






















“...Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, 
Senhor Deus, se eu deliro... ou se é verdade tanto horror perante os céus? 
!... Ó mar, por que não apagas Co'a esponja de tuas vagas do teu manto este borrão? 
Astros! Noites! Tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão! ” 



Acredito que essa estrofe do poema Navio Negreiro, escrito pelo baiano – poeta Castro Alves retrata um período da história da venda de humanos retirados do seio social no Continente Africano para serem comercializados como quaisquer produtos de compra e venda. O Brasil foi um dos lugares da América que mais recebeu cidadãos africanos para usurem diversos serviços escravos. A cifra desse tráfico passa de milhões de pessoas, Katia Matoso, dialoga muito bem em seu livro Ser Escravo, onde a autora trabalha com números, estatísticas de compra e venda. 13 de maio de 1888, juridicamente o Brasil encerra os serviços escravos, mas é bom pontuar que o Estado Brasileiro é uma das últimas nações da América a pôr fim a esse mecanismo de usar os serviços de uma pessoa e não remunerar, e além disso usar de uma infinidade de castigos físicos, fora os emocionais. 13 de maio de 1888 se junta a uma infinidade de resistências e lutas já empreendidas pelos escravizados em busca de sua libertação, cito exemplo das alforrias conquistadas na justiça, o abolicionista baiano Luiz Gama foi um dos operadores do direito a defender nos tribunais a tão sonhada alforria 

“No dia 14 de maio, eu saí por aí 

Não tinha trabalho, nem casa, nem para onde ir 

Levando a senzala na alma, 

Eu subi a favela... No dia 14 de maio, ninguém me deu bola 

Eu tive que ser bom de bola para sobreviver 

Nenhuma lição, não havia lugar na escola 

Pensaram que poderiam me fazer perder...” 

Dia seguinte da Lei Aurea, ou seja, 14 de maio de 1888, para onde vamos? Qual o nosso destino? Como será nosso futuro? Lazzo Matumbi, cantor baiano, nos presenteia com uma composição escrita no século XXI com 0 título 14 de maio, essa composição retrata como foi aquele dia após o fim oficial do serviço escravo no Brasil e as angustias que agora os ex cativos tinham que lidar no seu dia-dia. Agora livre das amarras daquele que os tinha como subalterno jurídico e social, o que fazer? Não é preciso ser nenhum historiador, para compreender a complexidade daquele momento, muitos vagando pelas ruas, fome, frio, jogado ao relento, não que a senzala seja um mar de maravilha, mas com certeza deixaram esses agora ex - escravos entreguem a própria sorte. “Um homem sem lar, sem pão, sem escola toda prosperidade será falsa” TANCREDO,1985, essa frase reflete realidade em qualquer época como que a esperança de um Ser em prover seu deslocamento social encontrará diversas dificuldades, além disso quando tentam se inserir num espaço social a Ele será explicitado que não é bem-vindo. 

Agora livres para serem inseridos no mercado de trabalho remunerado, porém vão enfrentar algo, que talvez na condição escravo não percebia, ou seja, o racismo. Diversos espaços produtivos dificultavam seu acesso, ou em muitas vezes deixava explicito que não eram bem-vindo, visto que, o Brasil implementa uma política de imigração branca; meado do século XIX essa política de inserção de pessoas de pele clara, ou seja, brancas principalmente vinda da Europa ganha volume a cada ano, e a teoria eugênica é um dos pontos utilizados pelas autoridades brasileiras para realizar a entrada de pessoas brancas. Essa teoria defendida por Francis Galton, teve adeptos em várias partes do mundo e o Brasil não foi diferente. Aqui o médico Renato Kehl é considerado o pai da eugenia no Brasil. 

Racismo no Brasil assemelha-se a um sistema operacional de um computador, que precisa de atualizações constantes. As atualizações do racismo brasileiro se fazem quase que diariamente. Ao fazermos movimentos de ocupações de espaços sociais onde haviam predominância de pessoas com apenas a pele clara, as reações de parte da sociedade brasileira afloram seu vasto teor racista, aqui pontuo o caso de Tia Má, jornalista, escritora, faz parte do quadro Encontro com Fatima Bernardes da Globo Maria Julia Coutinho, mais conhecida como Maju, âncora do Jornal Hoje. Os espaços chamados hoje de virtuais encorajam muitos a expor suas visões machistas, homofóbicas e racistas. Um simples cargo de segundo escalão em órgãos públicos sejam ele municipais, estaduais ou federas é fruto de questionamentos das nossas capacidades de estar naquele cargo. Sei que depois de mais de um século de fim do trabalho escravo muitas coisas mudaram, já fazemos parte de muitos afazeres econômicos no Brasil, porém estamos ausentes, ou com baixíssima representatividade em outros espaços como exemplo o de poderes políticos. O estado da Bahia em relação a qualquer estado brasileiro ultrapassa em percentuais a presença de pessoas de ascendência africana, mas ao olharmos o nosso cenário de poder político, econômico percebemos a ausência desses que compõem mais de 70 por cento do tecido social baiano. 

As cotas raciais foram bastante discutidas no tecido social brasileiro, levando a termos lados opostos, onde tinham pessoas que eram a favor e outros contras, e esse embate acalorado foi parar na Suprema Corte. Duas leis passaram por julgamento no STF, sendo uma sobre cotas nas universidades e Escolas Técnicas Federais de número a Lei nº 12.711/2012, a outra lei sobre concursos públicos de número Lei n. 12.990/2014, as duas foram consideradas constitucionais, e num Estado Democrático de Direito decisão judicial cumpre-se ou recorre. O argumento daqueles que eram contra as cotas era que a meritocracia prevalecesse para ocupar um cargo na esfera pública, mas o Brasil ao longo de história nem sempre esse critério teve prioridade ou foi pré-requisito para exercer seja qual for o cargo. Um lugar polêmico de entrada dos negros com critérios raciais fora nas universidades, mas não podemos esquecer da “lei do boi” A Lei Federal nº 5.465, de 3 de julho de 1968: 

"Art. 1º. Os estabelecimentos de ensino médio agrícola e as escolas superiores de Agricultura e Medicina Veterinária, mantidos pela União, reservarão, anualmente, de preferência, 50% (cinquenta por cento) de suas vagas a candidatos agricultores ou filhos destes, proprietários ou não de terras, que residam com suas famílias na zona rural, e 30% (trinta por cento) a agricultores ou filhos destes, proprietários ou não de terras, que residam em cidades ou vilas que não possuam estabelecimentos de ensino médio." O projeto foi aprovado no dia 3 de julho de 1968 e demonstrou os reais interesses da classe dominante agrária e do governo militar... 

É angustiante e polêmico falar desse tema Racismo, muitos vozeiram que é “mi-mi-mi" ou “vítimismo”, porém tenha dificuldades para encontrar teses de Mestrados ou Doutorados defendendo e comprovando o que é “mi-mi-mi” e “vítimismo”. Mas enquanto racistas e o racismo estiverem agindo diariamente, dialogar sobre esse tema será uma constante no tecido social brasileiro. No Brasil é muito difícil combater o racismo, pois aqui não sabemos como o racismo vai agir? A que horas vai agir? Qual o método vai usar? 



Nelson Mandela representa essa bandeira em amplitude mundial, ele sintetizou esse campo minado das relações sociais pelo mundo quando afirmou.





REGINALDO DIAS 
Formado em História na Universidade Jorge Amado

Pós Graduação - História Social Política e Econômica do Brasil

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O Kotidiano: Arranjos Raciais - Por Reginaldo Dias
Arranjos Raciais - Por Reginaldo Dias
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