| Imagem feita por I A para O Kotidiano |
| Por: Alex Passos Nos últimos dias, os olhos do mundo se voltaram com perplexidade e preocupação para decisões tomadas pela administração dos Estados Unidos que parecem desrespeitar normas internacionais básicas e a soberania de outros povos. De incursões militares a propostas de anexação territorial e declarações sobre movimentos sociais em países soberanos, observa-se um padrão de comportamentos que sugere mais síndrome de superpotência fora de controle do que liderança responsável. Um dos episódios mais alarmantes foi a operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua transferência para os Estados Unidos para enfrentar acusações judiciais. Militares norte-americanos invadiram Caracas, retiraram Maduro e sua esposa à força, e os levaram a Nova York, onde ele foi detido e se declarou inocente perante um tribunal federal americano. A ação, além de representar uma grave violação da soberania venezuelana, provocou reações fortes de países ao redor do globo do Brasil à África do Sul que qualificaram a operação como contrária ao direito internacional e uma ameaça à paz regional. Enquanto isso, o presidente americano renovou seu desejo de “adquirir” a Groenlândia, um território autônomo do Reino da Dinamarca, alegando que “os Estados Unidos precisam da Groenlândia por razões de segurança” e deixando claro que a possibilidade de uso de força militar “é sempre uma opção”. Governos europeus reagiram com firmeza, enfatizando que a ilha não está à venda e que sua soberania deve ser respeitada, destacando que tais falas não só ferem tratados internacionais mas também abalam a confiança entre aliados históricos como os países nórdicos. Esse estilo de agir, que parece ignorar regras e acordos internacionais quando inconvenientes, também se manifesta em declarações sobre conflitos e movimentos sociais internos de outras nações. Em relação às manifestações no Irã, o discurso oficial americano tem oscilado entre apoio retórico e decisões que muitos analistas consideram simplistas ou oportunistas, muitas vezes reduzindo movimentos complexos a narrativas maniqueístas sem ponderar contextos sociais e históricos (Reações públicas nas redes sociais e plataformas de comentário refletem essa frustração, com usuários destacando que a interferência externa muitas vezes piora crises internas em vez de promovê-las soluções sustentáveis). O problema central, refletido nesses casos, não é a crítica legítima a regimes autoritários ou a defesa de direitos humanos algo que qualquer democracia deve apoiar. O ponto mais relevante é a maneira como essas posições são expressas e implementadas: com unilateralismo, com retórica que provoca conflitos e com desdém por entidades multilaterais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e as Nações Unidas, que deveriam ter papel central em resolver disputas pacificamente. Quando o líder se comporta como criança birrenta com brinquedos Se espelhar um líder em uma criança que brinca com seus brinquedos pode parecer uma metáfora exagerada mas não é por acaso que ela se aplica bem aqui. Uma criança mau educada muitas vezes pega aquilo que deseja sem perguntar se pode, imagina que o mundo gira ao redor de seus caprichos e acredita que sua vontade é lei absoluta no ambiente à sua volta. O comportamento observado em algumas das ações recentes da administração americana soa como um poder que, sem freios ou contra pesos claros, age movido por desejos pessoais de controle, de prestígio, de ganância estratégica em vez de princípios sólidos de diplomacia e respeito mútuo. A diferença entre um líder de um Estado soberano e uma criança, porém, é gigantesca: as decisões de um presidente afetam milhões de vidas, definem rotas de paz ou guerra, podem alterar economias inteiras e influenciar a estabilidade internacional. Enquanto uma criança faz bagunça e é colocada de castigo, um chefe de Estado pode desencadear crises que levam a mortes, deslocamentos, rupturas diplomáticas e longas décadas de instabilidade. O mundo contemporâneo exige não apenas poder, mas prudência, transparência, responsabilidade e respeito pelo direito internacional. Líderes que parecem acreditar que podem impor sua vontade a outros países como se fossem “presidentes do mundo” estão atuando de modo que não apenas enfraquece instituições globais como também cria um ambiente de insegurança e desconfiança que ameaça a estabilidade global. Em tempos de complexas interdependências, agir como se fosse dono do playground mundial não é só infantil é perigoso. |
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