Por: Alex Passos
A partida repentina de Tarcísio Almeida deixa um vazio difícil de traduzir em palavras na equipe de trabalho, na família, entre os amigos e em uma cidade que aprendeu a reconhecer nele muito mais do que o cargo que ocupava.
A madrugada entre sábado e domingo interrompeu, de forma inesperada e dolorosa, a trajetória de Tarcísio Almeida, superintendente municipal de Trânsito de Simões Filho. Ele estava em uma casa de praia, entre amigos, participando das comemorações de um aniversário. Foi encontrado sem vida na cama onde dormia. A causa da morte ainda é desconhecida e, diante de uma perda tão repentina, talvez a primeira obrigação de todos seja o silêncio respeitoso que o momento exige. Mas há algo que a morte não consegue levar: a memória de quem ele foi.
E Tarcísio Almeida foi daqueles homens que não passavam despercebidos. Não apenas pelo cargo que exerceu, mas pela maneira como ocupava os espaços e, sobretudo, pela forma como tratava as pessoas. Tinha um bom humor permanente, uma alegria quase natural, dessas que chegam antes da própria pessoa. Onde estava, havia sempre espaço para uma conversa, uma brincadeira, um sorriso e aquela capacidade tão rara de tornar mais leve o ambiente ao redor. Era querido porque sabia ser amigo, sabia ouvir e, principalmente, sabia se solidarizar. Tinha sensibilidade diante das dificuldades alheias e não costumava olhar para o problema do outro como se não lhe dissesse respeito.
Havia também nele um gosto especial pelas coisas boas da vida. O cuidado, o bom gosto, a maneira de se apresentar e de apreciar os momentos revelavam uma personalidade que valorizava os detalhes. Mas talvez sua maior riqueza estivesse justamente naquilo que não se compra: os vínculos que construiu ao longo da vida. Família, para ele, não era apenas uma palavra. Era presença, referência, afeto e fundamento. Sua relação com os pais, irmãos e demais familiares revelava um homem profundamente ligado às suas raízes. E, acima de tudo, estava o amor pelos filhos, um casal que agora precisará aprender a conviver com uma ausência que chegou cedo demais especialmente para a filha mais nova, ainda adolescente.
Sua fé em Deus também fazia parte de sua identidade. Era uma característica marcante de sua caminhada e uma dimensão importante da forma como enxergava a vida, a família, as amizades e os desafios. Em um momento como este, é justamente essa fé que muitos daqueles que o amavam procuram abraçar para encontrar algum sentido diante do inexplicável.
No serviço público, deixa também sua marca. À frente da Superintendência Municipal de Trânsito, construiu uma trajetória de trabalho e dedicação, assumindo responsabilidades que exigem firmeza, presença e capacidade de lidar diariamente com os desafios de uma cidade em movimento. Para além das atribuições do cargo, deixa entre os colegas a lembrança do companheiro de jornada, daquele que dividia preocupações, encontrava soluções, enfrentava dificuldades e, mesmo diante das pressões do trabalho, não abandonava a capacidade de sorrir.
Hoje, a equipe que conviveu diariamente com ele está tomada pela comoção. E não é difícil compreender por quê. Quando alguém parte depois de construir relações verdadeiras, a ausência não se restringe a uma cadeira vazia, a uma sala ou a um posto de trabalho. Ela aparece na conversa que não acontecerá mais, na brincadeira que ficará sem resposta, no conselho que não será ouvido e naquele sorriso que, de tão habitual, parecia fazer parte da paisagem.
Simões Filho também sente essa perda. Porque algumas pessoas acabam se tornando parte da memória afetiva de uma cidade. Tarcísio Almeida era uma dessas pessoas. Sua história não será lembrada apenas pelas funções que exerceu, mas pelas relações que construiu, pela alegria que espalhou, pela solidariedade que praticou e pelo ser humano que escolheu ser.
O Kotidiano presta sua homenagem a um homem que fez do trabalho uma responsabilidade, da amizade um compromisso, da família um porto seguro, da fé uma direção e da alegria uma forma de estar no mundo.
Que Deus conforte seus filhos, seus pais, irmã e demais familiares. Que ampare os amigos, os colegas de trabalho e todos aqueles que hoje tentam compreender uma despedida tão inesperada.
Algumas pessoas deixam saudade. Outras deixam histórias. Há aquelas, porém, que deixam um pouco de si em cada pessoa que encontraram pelo caminho.
Tarcísio deixa histórias, saudade e muitos pedaços de sua alegria espalhados por Simões Filho.
E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de permanecer.
Postar um comentário