Em 2026, escolher deputados será tão importante quanto escolher presidente e governador e talvez o eleitor ainda não tenha percebido isso
Quando se fala em eleições, a disputa majoritária costuma roubar a cena. Presidente e governador ocupam debates, pesquisas e redes sociais, enquanto a escolha de deputados federais e estaduais muitas vezes fica em segundo plano. É um erro. São os parlamentares que vão fiscalizar o Executivo, discutir leis, votar o orçamento e decidir, junto com seus pares, quais pautas terão força dentro do Legislativo. Por isso, mais do que eleger nomes, o eleitor precisa ajudar a construir um Parlamento equilibrado, independente e formado por representantes que compreendam de fato a responsabilidade de um mandato.
E aqui cabe um alerta: voto de protesto também precisa ser responsável. Escolher alguém apenas para “dar uma resposta” a determinado político ou partido pode parecer uma atitude de indignação, mas o mandato conquistado permanecerá por quatro anos. O eleitor deveria perguntar antes de apertar a tecla verde: esse candidato conhece os problemas que pretende enfrentar? Tem propostas? Conhece o funcionamento do Legislativo? Tem compromisso com a população ou apenas visibilidade nas redes sociais? Protestar é legítimo. Entregar um mandato sem saber a quem e para quê é outra história.
Também é preciso prestar atenção às estratégias partidárias. Nem todo candidato lançado em uma chapa necessariamente possui estrutura, competitividade ou compromisso para exercer um mandato. Há situações em que nomes são estimulados a disputar para ajudar a legenda a alcançar sua votação e participar da complexa matemática que define a distribuição das cadeiras e, consequentemente, o acesso aos recursos e espaços políticos. O eleitor não pode ser tratado como peça de uma estratégia partidária. Cabe ao candidato demonstrar por que quer ser deputado e ao partido explicar por que aquele nome merece estar na disputa.
Em 2026, portanto, a pergunta não deveria ser apenas “quem você quer eleger para governar?”. É preciso perguntar também quem você quer fiscalizando quem governa. Um Legislativo forte não é aquele que diz sim a tudo, nem aquele que diz não a tudo: é aquele que sabe quando apoiar, quando questionar e quando dizer não. A provocação é simples: antes de escolher seu deputado, procure saber se você está elegendo um representante ou apenas ajudando a preencher uma cadeira. Porque, depois da eleição, quem escolheu não pode reclamar que não sabia quem estava colocando lá.

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