Por: Alex Passos


Os números apresentados pela Associação Comercial e Empresarial de Simões Filho (ACOSIF) confirmam que junho foi um mês positivo para o comércio local. No entanto, uma análise mais cuidadosa do Boletim Econômico divulgado pela entidade revela que, apesar do aumento nas vendas e da maior circulação de consumidores, alguns indicadores ainda levantam questionamentos sobre o real alcance desse aquecimento econômico.

O levantamento aponta que 89% dos empresários entrevistados avaliaram que o mês teve impacto positivo sobre a economia do município. Já 59% das empresas registraram crescimento nas vendas, enquanto 70% classificaram o movimento comercial como regular, bom ou excelente.

É importante destacar que o estudo não considera apenas o Arraiá das Viúvas. Os dados abrangem todo o mês de junho, período tradicionalmente impulsionado por diferentes fatores, como a copa o Dia dos Namorados, as vendas relacionadas aos festejos juninos e os eventos culturais promovidos ao longo do mês, incluindo o São Pedro, celebrado em Simões Filho com o Arraiá das Viúvas.

O comportamento do consumidor também chama atenção. O PIX respondeu por 59% das transações, consolidando-se como a principal forma de pagamento utilizada pelos clientes. Já o ticket médio predominante ficou entre R$ 201 e R$ 500, indicando uma movimentação financeira relevante no período.

Os segmentos de vestuário, alimentação, supermercados, beleza e serviços aparecem entre os principais beneficiados pelo aumento da demanda durante o mês.

Crescimento sem geração de empregos?

Entre todos os indicadores apresentados pela ACOSIF, um dos que mais merece reflexão talvez seja justamente o menos comemorado.

Segundo o boletim, 85% das empresas não realizaram contratações temporárias, mesmo diante do aumento da movimentação comercial observado durante junho.

O dado abre espaço para uma discussão importante. Se houve crescimento nas vendas e maior circulação de consumidores, por que esse aquecimento não se converteu em novas oportunidades de trabalho, ainda que temporárias?

Segundo a presidente da Acosif, Luany Valentim a resposta pode estar em diferentes fatores: O crescimento das vendas on-line, cautela dos empresários diante do cenário econômico do país ou, simplesmente, um aumento de vendas insuficiente para justificar novas contratações. Seja qual for a explicação, o indicador mostra que o desempenho positivo do comércio ainda não foi capaz de produzir reflexos mais amplos sobre o mercado de trabalho local.
Há potencial para resultados ainda maiores

Outro ponto observado por comerciantes ouvidos pelo O Kotidiano é a necessidade de ampliar as estratégias de incentivo ao consumo dentro da própria cidade.

Empresários relataram que sentiram falta de campanhas mais consistentes de valorização do comércio local durante o mês de junho. Na avaliação deles, ações integradas envolvendo promoções, divulgação institucional, decoração comercial e incentivo para que moradores e visitantes consumissem em Simões Filho poderiam ampliar ainda mais os resultados registrados pelo levantamento, como mostra a recomendação feita no próprio boletim.

Os números divulgados pela ACOSIF mostram que junho foi positivo para o comércio. Mas também deixam uma provocação: se o município reúne um calendário forte de eventos e consegue movimentar a economia mesmo sem grandes campanhas de fomento ao consumo, até onde Simões Filho poderia chegar com uma estratégia integrada entre comerciantes, entidades representativas e poder público para fortalecer as vendas e gerar mais empregos?






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