A audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira (06), na Câmara Municipal de Simões Filho, cumpriu um papel que vai além de uma exigência institucional: abriu espaço para que a população transformasse suas experiências cotidianas em contribuições para o planejamento do orçamento municipal. O encontro, que debateu os desafios da saúde e do transporte público, integra a construção da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e teve como objetivo identificar prioridades que possam orientar a destinação de recursos para dois dos setores que mais impactam a vida dos simõesfilhenses. Representantes da sociedade civil ocuparam a tribuna para relatar dificuldades, apresentar sugestões e cobrar respostas, deixando evidente um sentimento predominante entre os presentes: a insatisfação com a forma como esses serviços vêm sendo percebidos pela população.
No debate sobre mobilidade urbana, um dos pontos centrais foi a dificuldade do município em atrair empresas para operar o transporte coletivo. As últimas licitações encerradas sem interessados evidenciam um cenário que exige alternativas capazes de tornar o sistema economicamente viável. Entre as propostas discutidas esteve a possibilidade de o poder público avaliar mecanismos de subsídio ao transporte coletivo, estratégia já adotada em diversas cidades brasileiras para garantir a continuidade do serviço e ampliar o interesse de futuros operadores. Paralelamente, participantes defenderam o fortalecimento da fiscalização sobre o transporte alternativo, especialmente vans e táxis-lotação, reconhecendo que esses modais vêm suprindo, ainda que parcialmente, lacunas deixadas pelo sistema convencional. O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Pedro da Kombi, foi o único representante do Executivo presente e buscou responder aos questionamentos apresentados. Embora tenha prestado esclarecimentos, as respostas não foram suficientes para dissipar a insatisfação manifestada por parte do público.
Na área da saúde, os relatos concentraram-se na qualidade do atendimento oferecido pelas empresas responsáveis pela gestão do Hospital Municipal e seu anexo, bem como da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do CIA I. Usuários relataram dificuldades enfrentadas no acesso e na assistência prestada, reforçando o entendimento de que a saúde permanece entre as maiores preocupações da população. Ao final da audiência, o presidente da Câmara, vereador Itus Ramos, anunciou que o Legislativo dará continuidade ao ciclo de audiências públicas, incluindo nos próximos encontros temas como Educação e Infraestrutura, áreas que concentram parcela significativa do orçamento municipal. Segundo ele, a intenção é ampliar a participação popular para que o planejamento financeiro do município seja construído a partir das demandas apresentadas pela própria comunidade.
Mais do que um rito previsto no calendário legislativo, a audiência revelou um aspecto que costuma passar despercebido nos discursos oficiais: a população não reivindica apenas mais recursos, mas também ser parte das decisões que definem onde e como esses recursos serão aplicados. Quando a escuta pública deixa de ser mera formalidade e passa a influenciar efetivamente o orçamento, ela fortalece a democracia e aproxima o poder público da realidade das ruas. O desafio, agora, não está apenas em registrar as demandas apresentadas, mas em transformá-las em prioridades concretas. Afinal, a credibilidade desses espaços de participação não será medida pelo número de falas registradas em ata, mas pela capacidade de fazer com que as vozes ouvidas encontrem reflexo nas políticas públicas que sairão do papel.

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