Por : Alex Passos
Há coisas na política que parecem ter sido feitas sob medida para alimentar o nosso imaginário. Olhares atravessados, uma porta fechada, uma conversa no corredor, um vereador que sai de uma sala e outro que entra. Tudo pode ganhar ares de conspiração.
Esta semana, a política de Simões Filho ganhou um novo protagonista nos espaços de notícias da nossa cidade: um pano preto.
Tudo começou quando a equipe de mídia da Câmara precisou retirar a fotografia de um vereador do painel onde estão os parlamentares atualmente empossados. Motivo? Um vereador está deixando o Legislativo para assumir uma secretaria e outro está chegando para ocupar a cadeira.
Como a troca da fotografia não seria concluída imediatamente, o espaço foi coberto com um pano preto. Pronto. Estava criado o “grande” mistério.
O que era apenas uma solução provisória para não deixar um buraco no painel ganhou comentários, especulações e notícias espetaculosas.
A pergunta que começou a circular na imprensa era inevitável: o que será que está por baixo do pano?
Lembrei até de Ney Matogrosso cantando a música de Cecéu, É por debaixo dos panos. Porque realmente o cidadão talvez esteja menos interessado no que existe por baixo daquele pano preto e muito mais interessado no que existe por baixo do pano da política simõesfilhense.
O que se fala nas reuniões? O que se conversa nos bastidores? Que acordos estão sendo costurados e descosturados? Quem está articulando com quem? Que decisões já estão sendo tomadas antes mesmo de chegarem ao plenário? Esses, sim, são os panos que despertam a curiosidade de quem acompanha a vida pública.
Porque a fotografia será trocada. O painel será atualizado. O tal pano preto será tirado. Mas aquilo que acontece nos bastidores do poder pode mudar o rumo de uma cidade.
Sobre a celeuma do tal pano preto, já dizia o velho ditado popular que não está escrito na Bíblia, embora muita gente insista em colocá-lo na conta das Escrituras que “mente vazia é oficina do diabo”.
Quando falta pauta, sobra imaginação. E assim, um pano colocado ali apenas para esconder temporariamente um espaço vazio acabou ocupando um espaço enorme no imaginário político da cidade e a “imprensa”, que deveria estar sempre interessada em descobrir o que há por baixo dos panos da política, às vezes acaba se distraindo justamente com o pano.
Talvez porque seja mais fácil falar do tecido que está à vista do que tentar descobrir o que acontece atrás das portas fechadas.
No fim das contas, aquele pano preto não escondia segredo nenhum. Mas serviu para lembrarmos da canção do Ney, que é por debaixo do pano que a gente comete um engano, sem ninguém saber.
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