Campanha eleitoral começa neste domingo (16) e exige do eleitor mais atenção, responsabilidade e disposição para ouvir antes de escolher

Imagem gerada com auxilio de IA


Por: Alex Passos

A partir deste domingo, 16 de agosto, começa oficialmente a campanha eleitoral para as Eleições Gerais de 2026. A propaganda eleitoral estará permitida nas ruas e também na internet, inaugurando um período em que candidatas, candidatos, partidos e grupos políticos disputarão não apenas votos, mas também a atenção de milhões de brasileiros.

É um momento importante para a democracia. E justamente por isso, também é um momento que exige maturidade.

O eleitor não deveria entrar nesta campanha apenas para confirmar aquilo em que já acredita. O desafio democrático é maior: ouvir, comparar, questionar e analisar. Uma promessa bonita pode esconder uma proposta inviável. Um discurso inflamado pode não apresentar solução alguma. Da mesma forma, uma ideia diferente daquela que defendemos pode, depois de examinada com serenidade, revelar pontos importantes.

O voto não deveria ser uma reação automática a uma frase de efeito, a um vídeo emocionante ou a uma publicação que viralizou nas redes sociais. Antes de acreditar, é preciso verificar. Antes de compartilhar, é preciso conferir. Antes de escolher, é preciso conhecer.
A ameaça da mentira em tempos de inteligência artificial

As eleições de 2026 acontecem em um ambiente digital ainda mais complexo. A popularização das ferramentas de inteligência artificial tornou mais fácil produzir imagens, áudios e vídeos extremamente convincentes. Por isso, o eleitor terá de redobrar a atenção diante de conteúdos que chegam diariamente pelo celular.

O próprio Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu regras específicas para o uso de inteligência artificial na campanha e vem tratando o combate à desinformação como uma prioridade. Entre as normas estão medidas relacionadas à identificação de conteúdos sintéticos e à prevenção do uso de tecnologias para manipular ou falsificar informações eleitorais.

O problema não está na tecnologia em si. A inteligência artificial pode ser uma ferramenta extraordinária. O perigo aparece quando ela é utilizada para enganar, manipular, difamar ou fabricar uma realidade que nunca existiu.

Por isso, uma regra simples precisa acompanhar o eleitor durante toda a campanha: desconfie do que parece bom demais para ser verdade e também do que parece conveniente demais para confirmar aquilo que você já pensa.

Verificar a fonte, procurar a informação em veículos confiáveis, consultar dados oficiais e desconfiar de conteúdos sem autoria ou contexto são atitudes que podem fazer uma grande diferença.
A polarização não pode substituir o debate

O Brasil já pagou um preço alto pela transformação da política em uma guerra permanente entre brasileiros.

Discordar faz parte da democracia. O problema começa quando o adversário deixa de ser visto como alguém que pensa diferente e passa a ser tratado como inimigo. A política não precisa ser uma disputa entre bons e maus, cidadãos de bem e pessoas que devem ser eliminadas do debate.

Precisamos superar essa polarização inútil e, muitas vezes, irracional que insiste em dar o tom da política brasileira.

Não há democracia saudável sem divergência. Mas também não existe democracia saudável quando a divergência transforma-se em ódio.

E aqui cabe um alerta que vale para todos os lados: violência política não é argumento. Ameaça não é opinião. Agressão não é militância. Intimidação não é democracia.

Que ninguém seja atacado por defender um candidato. Que ninguém seja ameaçado por votar em outro. Que nenhuma família precise transformar uma eleição em motivo de rompimento. E que nenhum brasileiro aceite a violência física, verbal ou digital como parte natural da disputa política.

E a Bahia?

Para nós, baianos, a eleição terá uma dimensão ainda mais concreta. O que está em jogo não são apenas discursos nacionais ou disputas ideológicas. São problemas que fazem parte da vida cotidiana: saúde, educação, segurança pública, emprego, infraestrutura, saneamento, estradas, desenvolvimento regional e oportunidades para quem vive tanto nos grandes centros quanto no interior.

Por isso, O Kotidiano convida seus leitores a olhar para a eleição na Bahia com responsabilidade e sem paixão cega.

Não se trata de dizer ao eleitor em quem votar. A escolha pertence a cada cidadão e deve ser feita livremente. Trata-se de defender uma escolha consciente: comparar propostas, observar o histórico dos candidatos, verificar compromissos, avaliar resultados e perguntar de onde virão os recursos para colocar cada promessa em prática.

A Bahia precisa de escolhas capazes de responder aos seus problemas reais e de projetos que possam produzir melhorias concretas na vida da população.

O eleitor baiano deve cobrar menos slogans e mais propostas. Menos guerra política e mais capacidade de gestão. Menos promessas genéricas e mais compromissos verificáveis.

Neste domingo começa a campanha. Mas a verdadeira campanha pela democracia começa dentro de cada eleitor.

Que os próximos meses sejam de debate, fiscalização, informação e respeito. Que as redes sociais sejam utilizadas para aproximar pessoas, e não para fabricar inimigos. Que a inteligência artificial sirva ao conhecimento, e não à mentira.

E que cada eleitor possa chegar ao dia da votação com uma certeza: seu voto não foi escolhido pelo algoritmo, pelo medo, pela raiva ou pela mentira. Foi escolhido pela consciência.

Esse talvez seja o melhor caminho para o Brasil e também para a Bahia que todos nós queremos ver avançar.

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