Imagem gerada com auxilio de I.A


Por: Alex Passos

O Brasil chega às Eleições Gerais de 2026 diante de uma contradição que merece ser discutida: as mulheres são maioria da população e também do eleitorado, mas continuam longe de ocupar o mesmo espaço na política. Segundo o TSE, são 83,87 milhões de eleitoras, o equivalente a 52,84% do eleitorado brasileiro, contra 47,16% de homens. Ainda assim, as mulheres representam apenas 34,8% das candidaturas registradas para o pleito deste ano. O dado revela que existe uma distância considerável entre quem participa majoritariamente do processo de escolha e quem efetivamente consegue chegar à disputa pelo poder.

No caso da Presidência da República, a contradição fica ainda mais evidente. Não é correto dizer que há apenas uma mulher candidata em 2026: são duas entre os 13 nomes registrados até agora, o que representa aproximadamente 15,4% das candidaturas presidenciais. São elas Samara Martins (UP), que tem Raquel Brício (UP) como vice, formando uma chapa 100% feminina, e Clariana Barão (DC). Ainda assim, o número continua pequeno diante do tamanho do eleitorado feminino e, principalmente, diante da pergunta que permanece sem resposta: por que tão poucas mulheres chegam ao topo da disputa política nacional?

E a questão não se limita à Presidência. Também chama atenção a pouca presença feminina nas próprias composições das chapas majoritárias. Se os partidos reconhecem que as mulheres são maioria entre os eleitores, por que elas ainda aparecem tão pouco como candidatas a vice, governadoras, senadoras e presidentes? A legislação estabelece há anos uma reserva mínima de 30% de candidaturas femininas, mas os números mostram que essa exigência ainda funciona muito mais como um limite mínimo do que como estímulo para uma participação efetivamente equilibrada. O próprio TSE reconhece que, embora a presença feminina tenha crescido nos últimos pleitos, ela permanece distante da representação masculina.

Nesse cenário, a candidatura de Samara Martins, da Unidade Popular, ganha um significado que vai além do tamanho eleitoral de sua legenda. Ao lado de Raquel Brício, a candidata representa uma chapa integralmente feminina em uma disputa historicamente dominada por homens. Isso não significa que toda mulher precise votar em uma mulher ou que gênero seja suficiente para definir uma escolha eleitoral. A questão é outra: se as mulheres são maioria entre aqueles que escolhem os governantes, por que continuam sendo minoria entre aqueles que podem ser escolhidos? Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes que a eleição de 2026 deixa para a política brasileira e uma resposta verdadeira exigirá olhar não apenas para as urnas, mas também para dentro dos partidos, onde muitas das decisões que determinam quem terá condições reais de disputar o poder começam a ser tomadas.

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