Enquanto a campanha eleitoral ocupa o centro das atenções, movimentos de bastidores redesenham forças para a sucessão da Mesa Diretora da Câmara Municipal

Foto: Divulgação


A campanha eleitoral criou uma espécie de cortina de fumaça sobre uma disputa que continua acontecendo nos bastidores de Simões Filho: a sucessão da Mesa Diretora da Câmara Municipal. E foi justamente nesse ambiente de menor visibilidade que o prefeito Devaldo Soares (Del), teria encontrado espaço para exercitar uma das habilidades mais difíceis da política: a articulação. A nomeação de Ciberval Junior para a Superintendência de Trânsito, apontado como nome ligado politicamente e indicado pelo vereador Carlos Neto, a fermentação do nome de Adailton Caçambeiro para comandar a recém-criada Secretaria de Agricultura e Pesca e as especulações sobre uma aproximação ainda mais estreita entre Genivaldo Lima e Neivaldo Escavelo são movimentos que, somados, podem alterar significativamente o equilíbrio de forças no Legislativo.

O efeito político dessas movimentações é direto: o grupo de 11 vereadores, que garantiria a reeleição de Itus Ramos à presidência da Câmara, começa a apresentar sinais de esvaziamento. Não se trata apenas de nomes isolados, mas de uma engenharia política que pode mudar alianças, compromissos e expectativas antes da definição da próxima Mesa. Del, ao movimentar peças fora do plenário, parece ter conseguido ganhar tempo e reduzir a pressão sobre uma sucessão que, até pouco tempo atrás, parecia caminhar para um desfecho mais previsível. Na política, entretanto, aquilo que parece consolidado hoje pode deixar de existir amanhã especialmente quando interesses e projetos de grupo entram na equação.

Do outro lado, o nome de Sid Serra, apontado como indicação do chefe do Executivo, ainda não conseguiu adquirir a força necessária para se transformar em consenso entre os próprios vereadores. A dificuldade de construir essa maioria mostra que indicar um nome é uma coisa; fazê-lo chegar à Presidência é outra, bem mais complexa. É aí que reside uma das principais incógnitas dessa sucessão: até onde vai a influência do Executivo sobre os votos do Legislativo e, principalmente, quem conseguirá reunir maioria suficiente para comandar a Câmara no próximo biênio?

Agora, é preciso acompanhar os próximos movimentos sem perder de vista a campanha eleitoral. A disputa pela Mesa não desapareceu; apenas saiu momentaneamente do palco principal. E fica a pergunta que os bastidores políticos de Simões Filho ainda não respondem: Itus Ramos sofrerá a tão comentada “apunhalada” ou as movimentações jurídicas realizadas anteriormente acabaram produzindo exatamente o efeito que Del precisava tempo para reorganizar o tabuleiro? A resposta poderá começar a aparecer quando a cortina eleitoral subir e revelar quem, de fato, permaneceu de pé na disputa pelo comando do Legislativo municipal.

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