Jackson Bomfim aposta em Daniel Alencar e coloca seu capital político à prova em Simões Filho

Foto: Reprodução /Vamos Adiante 


O anúncio de apoio do ex-vereador Jackson Bomfim ao candidato a deputado federal Daniel Alencar acrescentou uma variável interessante à disputa eleitoral em Simões Filho. Filho do senador Otto Alencar, Daniel disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSD e teve sua candidatura confirmada pelo próprio pai ainda em 2025. Naquele momento, Otto deixou claro que o filho precisaria percorrer a Bahia e conquistar seus próprios votos. Em Simões Filho, porém, o movimento de Jackson chama atenção justamente por se apresentar como uma iniciativa individual dentro de um ambiente político no qual o nome de Daniel não aparece, até aqui, como uma escolha uniforme de todo o grupo ligado à família Alencar.

É aí que a política local começa a ficar mais interessante. A eventual votação de Daniel em Simões Filho não necessariamente será explicada apenas pela estrutura formal de apoios. Existe também um eleitorado que possui identificação histórica com o grupo Alencar e que pode fazer uma escolha diferente daquela indicada por determinadas lideranças locais. O encontro de Jackson e Mariza Bomfim com Otto e Daniel Alencar foi registrado em publicação, reforçando publicamente a aproximação. O próprio Daniel chega à reta final da eleição com candidatura deferida e estrutura de campanha registrada oficialmente, enquanto dados divulgados com base no TSE mostram inclusive doação de R$ 100 mil feita por Otto à campanha do filho.

Mas talvez a pergunta mais importante esteja menos em Daniel e mais em Jackson. Em 2024, ele alcançou 1.454 votos, uma votação suficiente para colocá-lo entre os nomes mais votados da eleição proporcional, embora insuficiente para garantir o mandato. Agora, ao associar seu nome a uma candidatura majoritariamente estadual, Jackson também coloca sua própria musculatura política em teste. Se Daniel apresentar uma votação expressiva na cidade, será inevitável que o desempenho seja observado à luz dos apoios que recebeu e, entre eles, o do ex-vereador. Isso pode fortalecer a narrativa de que Jackson continua possuindo capacidade de mobilização e pode chegar a 2028 com um capital político renovado. Se, por outro lado, a votação ficar distante daquilo que seus apoiadores esperam, a mesma escolha poderá alimentar a leitura oposta: a de que parte daquele eleitorado de 2024 não está necessariamente vinculada à sua liderança de forma permanente.

A política, entretanto, raramente funciona como uma transferência automática de votos. Os 1.454 votos de Jackson pertencem ao eleitor e foram depositados em uma eleição municipal, enquanto a disputa de 2026 ocorre em outro contexto, para outro cargo e com dezenas de alternativas na urna. Portanto, não será possível simplesmente pegar a votação de 2024 e atribuí-la a Daniel. O que esta eleição pode revelar é outra coisa: quanto da capacidade de Jackson de influenciar escolhas eleitorais permanece ativa dois anos depois de deixar a Câmara. E talvez seja justamente essa a aposta silenciosa por trás do movimento. Jackson não precisa apenas ajudar Daniel a construir uma votação em Simões Filho. Ele também precisa descobrir quanto de seu próprio nome ainda pesa quando o eleitor é chamado a escolher alguém para representá-lo em Brasília. A resposta das urnas poderá dizer muito sobre o espaço que o ex-vereador ainda ocupa no jogo político de Simões Filho rumo a 2028.

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