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| Fotos: Secom/Gov.Ba |
A formação de 161 novos sargentos da Polícia Militar da Bahia recoloca a segurança pública no centro de uma discussão que ultrapassa a quantidade de policiais nas ruas. O Governo do Estado vem anunciando investimentos em efetivo, equipamentos, tecnologia, viaturas, inteligência e estrutura. Desde 2023, segundo dados oficiais, mais de R$ 1 bilhão foi destinado especificamente ao fortalecimento da segurança pública. Em março de 2026, o Estado informou ainda que os investimentos totais da atual gestão já haviam alcançado R$ 24,04 bilhões. A pergunta que permanece para o cidadão, porém, é simples: onde esse esforço se transforma em segurança percebida no cotidiano?
É preciso reconhecer que os números mais recentes não autorizam dizer que nada mudou. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a Bahia registrou 3.884 mortes violentas em 2025, uma redução de 13,1% em relação a 2024 e o quarto ano consecutivo de queda. O governo também afirma que Salvador teve em 2025 o menor número de mortes violentas dos últimos 25 anos. Ao mesmo tempo, os dados históricos continuam colocando a violência como um dos maiores desafios do Estado, e a percepção da população não é determinada apenas pelas estatísticas de homicídios. O avanço de organizações criminosas, disputas territoriais, roubos, violência cotidiana e episódios que ganham enorme repercussão contribuem para uma sensação de insegurança que não desaparece simplesmente porque determinado indicador caiu.
Talvez esteja justamente aí o principal gargalo político enfrentado por Jerônimo Rodrigues. Segurança pública exige muito mais do que contratar policiais ou entregar viaturas. Exige investigação capaz de identificar e desarticular organizações criminosas, inteligência, integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Técnica, sistema prisional, Ministério Público e Judiciário, além de políticas capazes de reduzir a entrada de jovens nas redes criminosas. O próprio governo reconhece essa complexidade ao apresentar o Bahia Pela Paz como uma estratégia que reúne prevenção, justiça, reintegração social e atuação policial. Entre novembro de 2024 e abril de 2026, o programa recebeu mais de R$ 270 milhões, além de recursos destinados aos Coletivos Bahia Pela Paz.
A formação dos novos sargentos mostra que existe investimento na ponta. Mas a sociedade quer saber o que acontece depois que esses profissionais chegam às ruas. O dinheiro está se convertendo em inteligência? As investigações estão conseguindo alcançar quem financia e comanda o crime? O sistema prisional consegue impedi
Segurança pública na Bahia: quando o investimento cresce, mas a sensação de insegurança permanece
A formação de 161 novos sargentos da Polícia Militar da Bahia recoloca a segurança pública no centro de uma discussão que ultrapassa a quantidade de policiais nas ruas. O Governo do Estado vem anunciando investimentos em efetivo, equipamentos, tecnologia, viaturas, inteligência e estrutura. Desde 2023, segundo dados oficiais, mais de R$ 1 bilhão foi destinado especificamente ao fortalecimento da segurança pública. Em março de 2026, o Estado informou ainda que os investimentos totais da atual gestão já haviam alcançado R$ 24,04 bilhões. A pergunta que permanece para o cidadão, porém, é simples: onde esse esforço se transforma em segurança percebida no cotidiano?
É preciso reconhecer que os números mais recentes não autorizam dizer que nada mudou. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a Bahia registrou 3.884 mortes violentas em 2025, uma redução de 13,1% em relação a 2024 e o quarto ano consecutivo de queda. O governo também afirma que Salvador teve em 2025 o menor número de mortes violentas dos últimos 25 anos. Ao mesmo tempo, os dados históricos continuam colocando a violência como um dos maiores desafios do Estado, e a percepção da população não é determinada apenas pelas estatísticas de homicídios. O avanço de organizações criminosas, disputas territoriais, roubos, violência cotidiana e episódios que ganham enorme repercussão contribuem para uma sensação de insegurança que não desaparece simplesmente porque determinado indicador caiu.
Talvez esteja justamente aí o principal gargalo político enfrentado por Jerônimo Rodrigues. Segurança pública exige muito mais do que contratar policiais ou entregar viaturas. Exige investigação capaz de identificar e desarticular organizações criminosas, inteligência, integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Técnica, sistema prisional, Ministério Público e Judiciário, além de políticas capazes de reduzir a entrada de jovens nas redes criminosas. O próprio governo reconhece essa complexidade ao apresentar o Bahia Pela Paz como uma estratégia que reúne prevenção, justiça, reintegração social e atuação policial. Entre novembro de 2024 e abril de 2026, o programa recebeu mais de R$ 270 milhões, além de recursos destinados aos Coletivos Bahia Pela Paz.
A formação dos novos sargentos mostra que existe investimento na ponta. Mas a sociedade quer saber o que acontece depois que esses profissionais chegam às ruas. O dinheiro está se convertendo em inteligência? As investigações estão conseguindo alcançar quem financia e comanda o crime? O sistema prisional consegue impedir que organizações criminosas continuem operando? A integração entre as instituições funciona na velocidade que a violência exige? São perguntas que não podem ser respondidas apenas com cerimônias, equipamentos ou anúncios de novos investimentos.
Para Jerônimo, o desafio político é ainda maior porque segurança não é uma área em que o governo possa trabalhar apenas com a narrativa de esforço. É uma política pública cujo resultado é percebido de maneira imediata pela população. Uma pessoa pode não conhecer o orçamento da SSP, não saber quantos policiais foram formados e sequer acompanhar as estatísticas oficiais. Mas sabe quando deixa de sair de casa à noite, quando muda seu trajeto por medo ou quando vê o comércio do bairro fechar mais cedo. É nesse espaço entre o indicador oficial e a experiência cotidiana que está uma das maiores dificuldades da atual gestão.
O debate, portanto, não deveria ser simplesmente se o governo está investindo ou não. Os números oficiais mostram que está. A questão mais difícil é saber se o modelo adotado está conseguindo transformar investimento em prevenção, investigação, redução sustentável da violência e segurança percebida pelo cidadão. Os dados de 2025 apontam melhora em indicadores importantes, mas também mostram que o problema continua suficientemente grave para manter a segurança no centro da agenda pública. E, para um governo que chega ao período eleitoral tendo essa área como uma de suas principais vitrines e também um dos seus maiores desafios, talvez seja justamente aí que esteja a pergunta que as ruas ainda aguardam ver respondida.r que organizações criminosas continuem operando? A integração entre as instituições funciona na velocidade que a violência exige? São perguntas que não podem ser respondidas apenas com cerimônias, equipamentos ou anúncios de novos investimentos.
Para Jerônimo, o desafio político é ainda maior porque segurança não é uma área em que o governo possa trabalhar apenas com a narrativa de esforço. É uma política pública cujo resultado é percebido de maneira imediata pela população. Uma pessoa pode não conhecer o orçamento da SSP, não saber quantos policiais foram formados e sequer acompanhar as estatísticas oficiais. Mas sabe quando deixa de sair de casa à noite, quando muda seu trajeto por medo ou quando vê o comércio do bairro fechar mais cedo. É nesse espaço entre o indicador oficial e a experiência cotidiana que está uma das maiores dificuldades da atual gestão.
O debate, portanto, não deveria ser simplesmente se o governo está investindo ou não. Os números oficiais mostram que está. A questão mais difícil é saber se o modelo adotado está conseguindo transformar investimento em prevenção, investigação, redução sustentável da violência e segurança percebida pelo cidadão. Os dados de 2025 apontam melhora em indicadores importantes, mas também mostram que o problema continua suficientemente grave para manter a segurança no centro da agenda pública. E, para um governo que chega ao período eleitoral tendo essa área como uma de suas principais vitrines e também um dos seus maiores desafios, talvez seja justamente aí que esteja a pergunta que as ruas ainda aguardam ver respondida.
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