Último debate antes do 1º turno é cancelado e expõe nova tensão entre política, Justiça e televisão



A TV Globo cancelou nesta quinta-feira (1º) o debate entre candidatos à Presidência da República que seria realizado três dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). O encontro já havia sido alterado por decisões judiciais e perdeu sentido após as desistências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que estavam entre os principais nomes previstos para o confronto. A emissora apontou as mudanças determinadas pela Justiça e a consequente insegurança sobre as regras do programa como fatores para o cancelamento.

Lula havia comunicado à Globo que não participaria do debate e, nesta quinta-feira, afirmou em entrevista ao Flow Podcast que não se identifica com o formato tradicional de confrontos com vários candidatos, por considerar que o modelo dificulta uma discussão mais aprofundada. Reportagens também apontaram que integrantes de sua campanha avaliavam o risco de cortes de trechos nas redes sociais e de exposição negativa na reta final. Essas são justificativas atribuídas ao próprio candidato e a integrantes de sua campanha, não conclusões independentes.

Flávio Bolsonaro, que inicialmente havia confirmado presença, anunciou a desistência horas antes do programa. Em declaração publicada pela CNN, afirmou que tomou a decisão em razão da “censura imposta ao evento pelo TSE”. A reação ocorreu depois de uma decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, que proibiu a Globo de mostrar o púlpito vazio reservado a Lula e também impediu que os demais candidatos simulassem perguntas dirigidas ao ausente. A medida havia sido solicitada pela coligação de Lula, que argumentou que a exposição da cadeira poderia prejudicar o candidato.

O episódio deixa uma questão que vai além da programação televisiva: a três dias da eleição, o eleitor perdeu justamente um dos últimos espaços de confronto direto entre os candidatos à Presidência. A sequência de ausências, decisões judiciais e mudanças nas regras transformou um debate que deveria servir à comparação de propostas em mais um capítulo da disputa eleitoral. Cabe agora ao eleitor buscar outras fontes, confrontar discursos, conhecer propostas e avaliar os candidatos sem terceirizar essa escolha para cortes de redes sociais, torcidas políticas ou narrativas prontas.

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